Archive for junho, 2008


GRULHOSOFIA

as vezes mal termino a frase e me arrependo do que comentei
e em outras ocasiões chateio-me porque me escondi, me calei
infelizmente perdi o frescor de quem carrega o amanhecer no coração
está escuro em tantas partes do meu ser que me confundo com a escuridão

negando a sabedoria causo transtornos imbecis
falta-me a perseverança e a esperança que tornam o triste, feliz
de regras vazias e salgadas máscaras malditas me fartei
e no manto sagrado de uma religião encenada me enforquei

e envenenado, prejudico quem bebe ou se banha no que sou
como um rio letal que destrói a tudo que dele provou
espelhos não mostram os desajustes que coleciono em mim
e as vezes me pergunto se esse mal terá fim

quero voltar a ter um olhar puro e um coração paciente
preciso reconhecer-me como o abraço gentil que traz alívio ao doente
nasci para compreender os excluídos e desprezar banalidades
fui chamado para ter misericórdia, doar a graça e caminhar sobre a verdade

e que o perdão não me seja negado
por aqueles que machuco e enveneno
e que novamente pelo Amor eu seja transformado
e volte a ser simplesmente o thiaguinho. bagunceiro, amoroso, verdadeiro e pequeno…

Grulha

algumas palavras são para mim o que a sarça em chamas foi para nosso irmão Moisés. elas destacam-se no cenário e me atraem. me aproximo e as ouço dizer o que são e atento, dialógo com seus significados e naturezas. se preciso for, retiro dos olhos o preconceito, assim como alguém que percebe a santidade do momento retira a sandália dos pés, e releio cada pequeno detalhe do desenho das letras redescobrindo o que elas podem representar na minha caminhada.
hoje observei a semelhança sonora de duas palavras… “existência” – “desistência” -e foi inevitável imaginá-las em lados opostos de um campo jogando o jogo da vida.
quem quer de fato existir não deve permitir-se desistir. desistir é corromper o existir. não importa qual meta abandonemos por medo ou insegurança, isto implicará em perdas em nosso existir.
diante da história nossa de todos os dias precisamos optar sempre entre “existência ou desistência”
existir é perseverar. é continuar tentando montar o quebra-cabeça. é correr mais uma vez tentando colocar a pipa no ar. é fazer mais outra ligação e ouvir pacientemente o telefone tocar, quem sabe agora ela antenda e diga que sim. existir é orar novamente e sem cessar. é reler aquele texto é abrir novamente o livro.
Então quem existe?
existe quem dá a outra face. existe quem anda a segunda milha. existe quem não se entrega e nem se conforma com o que é agora. existe quem agradece o sopro do vento mesmo que o barco necessite de um tufão para sair do lugar.
Não desistam. Lutem. A desistência é a tirana inimiga da existência.

Ser fiel até a morte… só consegue isso quem existe… quem não desiste…
Jesus é quem nos fortalece… quem gera nosso próximo passo, ato e espaço para tentar e viver…

thiago grulha

Suspirei

pode a ausência de um grão de areia fazer o mar sentir ansiedade?
pode um vaga-lume atrair a atenção do sol?
pode um só moço com seu grito parar uma cidade?
pode Barcelona inteira aplaudir a eloquência de um iniciante em espanhol?

posso eu ser teu sonho ou o motivo dos teus saltos de alegria?
posso eu ser a delícia dos teus olhos ou senhor de teus pensamentos?
posso eu ser tua bagunça, teu travesseiro no ar, tua magia?
posso eu fazer com que você queria que a vida pare pra gente viver este momento?

Thiago Grulha

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