Sempre tive um certo medo secreto dos andarilhos. Parece-me que na infãncia ouvi de alguém que eles carregavam consigo grandes sacos de pano e sequestravam crianças desobedientes e comiam seus corações com maionese Helmans e Pão Pulmman.
Os temia não tanto por considerar-me desobediente (até porque não estava muito preparado para auto-análises sérias) mas porque não era capaz de imaginar como seria minha vida sem espalhar raízes, sem construir o lar sobre um mesmo terreno, sem ser conhecido de todos e a todos conhecer. A verdade é que temia o desconhecido e por isso temia também os andarilhos.
Os temia porque resumiam no que eram e viviam tudo o que me apavorava. Eles desprezavam temores que para mim eram gigantes invencíveis ou abismos intransponíveis. Eu os invejava, mesmo sem saber ainda o que era a inveja.
Como eles podiam deixar suas casas de cores engraçadas, rachaduras remendadas, tacos empoeirados, cheiros e temperaturas tão familiares e amigas para se aventurarem por ruas, campos, estradas, vilas e cidades que seus corações desconheciam a existência?
Como conseguiam saber quem eram de fato se a cada nova semana precisavam repetir seus nomes, pois ali eram apenas nobres estranhos? Como viver sem ter um apelido de infância ecoando em seus ouvidos? Como devia ser angustiante olhar ao redor e nada reconhecer.
Porém, mesmo os temendo, os admirava também!
Assombrava-me diante da coragem, ousadia, leveza, liberdade e até loucura destes homens sem endereço. Barcos à deriva! Navios sem porto algum em seu destino. Mapas sem demarcações, sem linhas limitadoras. E por isso, quando estavam por perto eu desviava meus olhos de suas faces suadas e misteriosas, mas logo que passavam por mim os seguia com os olhos brilhando como quem espia admirado o vôo de um pássaro mágico.
E porque evoquei tais lembranças infantis?
Será pelo fato de estar barrigudo e precisar fazer caminhadas? Será que é porque estou sem grana para pagar o transporte público e temendo que alguém me veja caminhando pela Avenida São Miguel durante a noite eu já tenha uma explicação filosófica para meu comportamento?
Não, não é isso! rs
É porque hoje sou um pouco andarilho.
Hoje tenho a alegria de ir na direção do desconhecido pronto para aprender, sorrir e voar. E a cada oportunidade de cantar, pregar, tocar, dar aulas, ouvir, poetizar, filosofar, contar piadas, jogar bola, perder no ping pong ou de arrasar com meus adversários no par ou ímpar, experimento a vida ardendo dentro deste peito jovem. Louvo a Deus por cada nova amizade. Cada nova aliança. Cada salto, cada mão estendida, cada oração, cada versículo lido, cada peça encenada, cada história compartilhada, cada mãe renovada, cada filho arrependido, cada casal reconciliado, cada ministro desafiado, cada momento dividido! Tudo isso é dádiva do próprio Amor! Não sou digno do que vejo reluzir neste frágil e pequeno (literalmente pequeno rs) vaso de barro.
Este sábado (16 de Maio) estive em São Carlos, na igreja que meu irmão mais velho congrega. Foi tão especial pra mim! ver minha mamãe, o Thales, o Juca. Minha família juntinha ali! Cantando. dançando.
Minha mãe tentou disfarçar, mas a surpreendi dando uns pulinhos discretos rs Te amo Gatona!
Minha cibele também alegrou meus olhos naquela noite (ela é linda).
Além disso ali havia amigos, irmãos e amigos.
Peço a Deus que continue concedendo-me o vôo dos andarilhos. E que em cada nova descoberta haja um lugar para eu chamar de “nosso” e um povo que cante alto “somos irmãos em Cristo”.
Dia 23 agora estarei na igreja Korban.
Igreja: Comunidade Evangélica Korban
Endereço: avenida Oratório 4.300
Dia: 23 de Maio
Horário:19:30 horas
Pastor: Pastor Adiel
informações: 7659-4936
E que o Senhor nos alegre com sua presença criadora.
Abraços amigos!
www.myspace.com/thgrulha




