Archive for maio, 2009


Sempre tive um certo medo secreto dos andarilhos. Parece-me que na infãncia ouvi de alguém que eles carregavam consigo grandes sacos de pano e sequestravam crianças desobedientes e comiam seus corações com maionese Helmans e Pão Pulmman. 
Os temia não tanto por considerar-me desobediente (até porque não estava muito preparado para auto-análises sérias) mas porque não era capaz de imaginar como seria minha vida sem espalhar raízes, sem construir o lar sobre um mesmo terreno, sem ser conhecido de todos e a todos conhecer. A verdade é que temia o desconhecido e por isso temia também os andarilhos.
Os temia porque resumiam no que eram e viviam tudo o que me apavorava. Eles desprezavam temores que para mim eram gigantes invencíveis ou abismos intransponíveis. Eu os invejava, mesmo sem saber ainda o que era a inveja.
Como eles podiam deixar suas casas de cores engraçadas, rachaduras remendadas, tacos empoeirados, cheiros e temperaturas tão familiares e amigas para se aventurarem por ruas, campos, estradas, vilas e cidades que seus corações desconheciam a existência?
Como conseguiam saber quem eram de fato se a cada nova semana precisavam repetir seus nomes, pois ali eram apenas nobres estranhos? Como viver sem ter um apelido de infância ecoando em seus ouvidos? Como devia ser angustiante olhar ao redor e nada reconhecer.
Porém, mesmo os temendo, os admirava também!
Assombrava-me diante da coragem, ousadia, leveza, liberdade e até loucura destes homens sem endereço. Barcos à deriva! Navios sem porto algum em seu destino. Mapas sem demarcações, sem linhas limitadoras. E por isso, quando estavam por perto eu desviava meus olhos de suas faces suadas e misteriosas, mas logo que passavam por mim os seguia com os olhos brilhando como quem espia admirado o vôo de um pássaro mágico.
E porque evoquei tais lembranças infantis?
Será pelo fato de estar barrigudo e precisar fazer caminhadas? Será que é porque estou sem grana para pagar o transporte público e temendo que alguém me veja caminhando pela Avenida São Miguel durante a noite eu já tenha uma explicação filosófica para meu comportamento?
Não, não é isso! rs
É porque hoje sou um pouco andarilho.
Hoje tenho a alegria de ir na direção do desconhecido pronto para aprender, sorrir e voar. E a cada oportunidade de cantar, pregar, tocar, dar aulas, ouvir, poetizar, filosofar, contar piadas, jogar bola, perder no ping pong ou de arrasar com meus adversários no par ou ímpar, experimento a vida ardendo dentro deste peito jovem. Louvo a Deus por cada nova amizade. Cada nova aliança. Cada salto, cada mão estendida, cada oração, cada versículo lido, cada peça encenada, cada história compartilhada, cada mãe renovada, cada filho arrependido, cada casal reconciliado, cada ministro desafiado, cada momento dividido! Tudo isso é dádiva do próprio Amor! Não sou digno do que vejo reluzir neste frágil e pequeno (literalmente pequeno rs) vaso de barro.

Este sábado (16 de Maio) estive em São Carlos, na igreja que meu irmão mais velho congrega. Foi tão especial pra mim! ver minha mamãe, o Thales, o Juca. Minha família juntinha ali! Cantando. dançando. 
Minha mãe tentou disfarçar, mas a surpreendi dando uns pulinhos discretos rs Te amo Gatona!
Minha cibele também alegrou meus olhos naquela noite (ela é linda).
Além disso ali havia amigos, irmãos e amigos.

Peço a Deus que continue concedendo-me o vôo dos andarilhos. E que em cada nova descoberta haja um lugar para eu chamar de “nosso” e um povo que cante alto “somos irmãos em Cristo”.

Dia 23 agora estarei na igreja Korban.

Igreja: Comunidade Evangélica Korban
Endereço: avenida Oratório 4.300
Dia: 23 de Maio
Horário:19:30 horas
Pastor: Pastor Adiel
informações: 7659-4936

E que o Senhor nos alegre com sua presença criadora.

Abraços amigos!
www.myspace.com/thgrulha

Filho de Timeu

Filho de Timeu…

Nada me é estranho. Os sorrisos. As falas. Os olhares. Os abraços. Eu os reconheço.
É muito bom quando estou entre eles. Há sempre uma pergunta carinhosa sobre o que tenho feito e uma declaração meiga de que provoco saudades.
Sento-me nas primeiras fileiras de confortáveis cadeiras azuis e curto cada momento.
Algo aquece meu rosto. São os olhares amorosos dos idosos que não deixam de fazer de mim objeto de suas afeições e motivo de suas orações. Não há como não amá-los.
Olha lá! É meu pai regendo os hinos com sua habitual alegria e fôlego de atleta. O Nilton tocando piano. O irmão Thiago Ribeiro com as mesmas expressões de devoção no rosto enquanto colhe o som de seu violino.
O grupo de louvor sempre mexe com minhas lembranças – quanta coisa começou ali.
É hora de apresentar os visitantes – dou muita risada quando quem dirige este momento é o Ismael, ele sempre se supera, só perde para o Fernandinho.  Claro, isso porque não tem como colocar o Hebert na disputa, ele é definitivamente – insuperável.
Quando dou uma espiada para os bancos da direita contemplo o lindo rosto de minha mãe, como amo vê-la e ouvi-la cantar.
E claro, quem está lá na galeria? sim, o meu mano caçula. E hoje em dia anda muito bem acompanhado rsrs A bruna é um amor, mas é o amor do Igor hein! do Igor rs
E com o coração já encantado por tudo o que experimento ali ouço meu pastor dizer “preste atenção e olhe pra mim” e mais uma vez sou ensinado pelas escrituras sagradas e sinto minha alma chegar mais perto de Quem a criou e nela soprou vida.
Esta noite o sermão é sobre o filho de Timeu. Que história incrível! Que ousadia. Que fé. Que luz celeste entrando no calabouço escuro do desprezo. Aleluia!
E não vejo outra saida! Vou ao papel e escrevo. Escrevo uma canção. Imagino uma canção. Bebo uma canção. Sonho uma canção. Bartimeu já não é uma personagem bíblica. Bartimeu sou eu.
Sou eu que não vejo a beleza oculta no cotidiano, a paz bendita, a cor cintilante, a forma perfeita, as mãos carinhosas, o beijo sincero, a vida abundante.
Então termino a ultima frase e passo a cantarolar melodias em minha mente.
Meu pastor ainda está concluindo seus pensamentos.
Ninguém me convidou a ir a frente e cantar, então porque meus pés se dirigem para lá? É porque estou em casa, aqui minha inciativa é acolhida sem explicações demoradas.
E me dirijo ao teclado. Meu pastor entende meu gesto. Sem nada combinarmos ele diz ao microfone – agora ouçamos uma canção pelo Thiago.
Mal sabia ele que era um fruto fresco. Uma idéia recém chegada. Uma semente que acabou de brotar.
 Eis a canção:

Filho de Timeu

Vejo sem enxergar
Ouço sem etender
Procuro sem encontrar
Respiro sem viver

Caminho sem caminhar
Me levanto sem me erguer
Sonho sem acreditar
Que algo possa acontecer

mas a beira do caminho
Eu ouvi Jesus passar
Eu não calei o meu GRITO
Mestre eu quero enxergar

Abraço sem me importar
Me aproximo sem me envolver
Me prosto sem adorar
Conheço sem conhecer

Ouço ELE perguntar
Qual é o teu querer?
Eu quero enxergar
Mestre eu quero ver

Sim a beira do caminho
Luz eu pude encontrar
Eu não calei o meu grito
Vejam todos, eu posso enxergar

Eu posso ver – Eu posso ver
Filho de Davi – Honra e Glória a Ti
Eu posso ver – Eu posso ver
Contemplo o Teu amor
E eu quero te Seguir
Seguir a LUZ!!!

Thiago Grulha

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