Mãos que oram…

Louvo a Deus por dar a nós a honra de sermos únicos e a alegria de podermos descobrir nosso próprio caminho e significado no universo e suas relações.
Louvo a Deus por nos dotar de capacidades e forças específicas para a realização das tarefas que DELE recebemos. Louvo a Deus por nos fazer tão diferentes sem negar a nenhum de nós a felicidade de sermos sua IMAGEM e SEMELHANÇA.
Como é importante orar.
Há quem ore aos gritos – gente que que lança seus pedidos e agradecimentos com a força de suas vozes para além das nuvens brancas.
Há quem ore em silêncio. Há quem converse com Deus em pensamento. E por aí vai…
Eu gosto de orar com as mãos…
Enquanto escrevo descortino meu coração na presença do POETA e descubro que cada palavra na tela surge do meu encontro com meu Senhor. Surge de minha inquietação amalgamada à paz que dEle emana abundantemente.
E nos versos que se deixam conhecer encontro minhas súplicas e louvores. Amém!
Este mês de Julho tem sido especial demais.
No que tenho cantado e pregado sinto o evangelho percorrendo-me e em minha instrumentalidade alcançado a outros. Mas isso me faz pensar, e pensar muito.
E o que tenho pensado ultimamente diz respeito àquele versículo que nem buscarei reproduzir com fidelidade nesta madrugada, apenas citar uma parte de seu teor.
Jesus disse algo parecido com “Quem quiser ME seguir, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e acompanhe-me”.
Eu poderia ir até a estante e buscar ali relembrar os detalhes do texto e sua referência, mas prefiro partir do que minha mente recordou-se e nisto, pelo menos nesta hora, permanecer.
Hoje vi este texto e recebi uma outra aplicação. Entendi porque tenho me revoltado comigo.
Seguir a Jesus é uma jornada de descobertas. Andar com o Filho do Homem nos coloca frente a frente com o espelho da verdade.
Quem não experimenta seguir Jesus não chega a se conhecer.
Quem se arrisca a aproximar-se do Cristo é iluminado de tal forma que se vê como nunca havia se visto antes.
Enquanto caminhamos tendo os passos do Nazareno como mapa, somos confrontados com pessoas, situações, movimentos, sentimentos e tantas outras coisas que jamais experimentaríamos se não seguíssemos a Jesus.
Tomem isso como um exemplo. Imagine-se seguindo um médico pelos corredores de um hospital psiquiátrico.
O doutor desacelera o ritmo e demora-se frente a uma porta cinza escura. Na porta está escrito “casos graves”. Logo após a entrada do homem vestido de jaleco branco você também pisa naquele chão de granito.
São gritos. Delírios. Alucinações. Loucuras. Expressões confusas.
Você se assusta, mas o médico continua cuidando das pessoas. Você quer fugir, mas aquele a quem você segue abraça os pacientes.
Você não consegue sequer se aproximar daquelas criaturas, porque para seus olhos elas não são seres humanos.
E pouco a pouco você descobre que não está pronto para enfrentar aqueles berros e apesar deles amar, abraçar e cuidar. Percebe que não sente amor por eles e que preferiria jamais tê-los conhecidos.
E ao sair da sala não se reconhece. Todos aqueles sentimentos jamais tiveram lugar em teu coração.
Mas quando seguiu aquele que caminhava para cuidar dos doentes, você surpreendeu-se consigo mesmo. E agora se vê diante de uma escolha a fazer. Negar seus medos, vontades, preconceitos, reservas, vazios, ou se render dominado por eles.
Ou você buscaria aprender a amar, cuidar e valorizar aquelas esquecidas e marginalizadas personagens da história da vida, ou diria a si mesmo-  “- eu não tenho que ficar aqui, isso não faz parte da minha vida”.
Desculpe o exemplo um tanto alegórico demais, mas ele ilustra bem o que sinto.
Quando andamos com Jesus atravessamos portas que guardam coisas que jamais esperávamos ver.
Jesus se relaciona com vidas que preferiríamos descartar. Jesus reage com amor diante de situações que faríamos uso da violência. Jesus perdoa áqueles que decidimos apedrejar. Jesus ignora o trono de Pilatos e sobe na cruz de Barrabás. Jesus não se afasta da mulher adúltera, ao contrário, é o único que com ela conversa.
Enquanto sigo a Jesus deparo-me com coisas que mexem com o pior da minha natureza e quando isso acontece preciso negar este “eu” em rebelião.
Ha gente que não sabe até hoje o que está dentro de si, porque não decidiram estar com o Mestre.
Creio que você não seja tão impuro quanto eu. Creio que seu coração abarca muito mais bondade e justiça do que consigo guardar no meu. Entretanto, pense nisso.
Será que a razão pela qual você se acha tão bom, caridoso, respeitador ou digno, seja que não tem seguido ao Senhor da vida? Será que se você atravessar as portas que ELE atravessa não seria desmascarada a sua alma invejosa, teu espírito preguiçoso, tua boca maldizente, teu pensamento egoísta, teu caminho violento, ou tua carne maliciosa?
Peço a Deus perdão pelo meu “eu”. Suplico a ELE que me ajude a negar este “eu”. Que me ajude a não alimentá-lo com o pão do pecado. Que me socorra para que eu não o acaricie com o beijo da impureza. Que eu não o abrace com o afago da mentira.
Aos irmãos em Cristo que entrarem neste blog ou receberem um de meus e-mails, peço com sinceridade. Orem por este seguidor de Cristo, pois tenho descoberto um “eu” que, se não for negado, cegará minha fé, aleijará minha esperança e destruirá o templo que sou.

Que o Senhor Jesus nos ajude a negar o “eu” que apenas pode ser visto à luz da presença do Mestre Jesus.

Do amigo

Grulha