Archive for maio, 2010


O que foi que eu fiz?

 Desconsiderei o aviso da alma aflita
Me fiz ausente enquanto seu discurso ecoava
Ignorei que a vida se esvai, pois de fato é finita
Minha arrogância me prendia, me enganava

A voz aconselhava-me a não perder a identidade
Desmascarava-me sem rodeios ou preocupações
Dizia-me triste o quanto, de mim, sentia saudade
Mas a ilusão a expulsava a ponta pés e empurrões

Tudo em mim havia mudado, eu era outro
O que me fazia sorrir, agora rudemente desprezo com o olhar
Como pude me tornar neste incrédulo, neste louco?
Como pude me esquecer que viver é amar?

Meu rosto não se encontra na foto que acabaram de tirar
Minha ausência na festa não foi notada pelos amigos
O que já foi leve, hoje mal consigo carregar
Estou cercado de medos, mentiras e perigos

Afinal, pelo que lutei a vida inteira?
Tudo o que eu queria não era ser feliz?
Mas meu mundo se tornou um amontoado de solidão e canseira
Por que não ouvi o Amor? O que foi que eu fiz?

Thiago Grulha

                                                                                                                                                                   

Nem sempre consigo, mas tenho tentado fazer da sinceridade a tinta de tudo o que escrevo.
Partilho histórias da infância, meu passo no cotidiano ou apenas sentimentos recém chegados a um coração emocionado.
Meus amigos já me ouviram sussurar estas palavras: -Como desejo ter uma alma de escritor.
Este desejo não diz respeito a editoras, páginas, capas ou enredos mirabolantes. Quem tem alma de escritor faz de um guardanapo um lugar sagrado pela preciosidade dos versos rabiscados nele.
Quero ver a poesia do acaso, do encontro inesperado, da palavra comum dita em um grito anônimo na cansativa fila do banco. A poesia escondida na folha jogada ao vento, num raio de sol, no olhar misterioso do bebê, na beleza da flor, na dureza do asfalto. Quero garimpar as profundas lições escritas nas profundas minas do instante, do momento, do agora.
Festejo com cada reação carinhosa diante do que compartilhei, pois derramo sonhos dentro de cada letra, que unida a outras, revelam o que acredito.
Meu twitter reúne minhas impressões dos mais variados temas da vida. Não porque eu tenha alguma competência plástica ou lógica, mas porque escrever me ajuda a respirar coragem dentro da caverna do medo.
Há pouco escrevi esta frase em meu microblog (twitter):“O riso lançado no rosto para esconder o choro impregnado na alma, fechará a única janela pela qual o consolo pode de fato entrar – a verdade” – Thiago Grulha

A lágrima é tão inimiga do riso, quanto a lagarta é da borboleta.
Há quem acredite que é preciso driblar o choro para chegar ao gol da alegria. Há quem pense que o sofrimento mora distante da felicidade, sendo que na verdade estão todos na mesma vizinhança, e por muitas vezes quem coloca a bola nos pés da festa é o passe certeiro da dor.
Não podemos ignorar nossas feridas para, esquecendo delas, curtir algum fugaz tempo de safisfação. Precisamos olhar para dentro da lágrima com os olhos da fé. Seremos surpreendidos ao descobrir a gargalhada cravada entre o pranto e a desilusão.
Quando enfrentamos nossos pesadelos, ao invés de ignorá-los, sentimos tamanha alegria ao vencê-los com o poder de Deus, que nossos saltos incontidos são como brincadeira de criança sonhadora.

Quem esconde sua solidão num riso fabricado pelo medo, perde a chance de ao mostrar sua dor, encontrar amigos, desvendar a face de um irmão em um rosto antes desconhecido.
Aceitar nossa fragilidade é o que nos torna realmente fortes.
Descubramos as restaurações, transformações, vitórias, canções, poemas e tantas outras belezas semeadas dentro do universo de uma lágrima sincera.

 

 

 

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