Desconsiderei o aviso da alma aflita
Me fiz ausente enquanto seu discurso ecoava
Ignorei que a vida se esvai, pois de fato é finita
Minha arrogância me prendia, me enganava

A voz aconselhava-me a não perder a identidade
Desmascarava-me sem rodeios ou preocupações
Dizia-me triste o quanto, de mim, sentia saudade
Mas a ilusão a expulsava a ponta pés e empurrões

Tudo em mim havia mudado, eu era outro
O que me fazia sorrir, agora rudemente desprezo com o olhar
Como pude me tornar neste incrédulo, neste louco?
Como pude me esquecer que viver é amar?

Meu rosto não se encontra na foto que acabaram de tirar
Minha ausência na festa não foi notada pelos amigos
O que já foi leve, hoje mal consigo carregar
Estou cercado de medos, mentiras e perigos

Afinal, pelo que lutei a vida inteira?
Tudo o que eu queria não era ser feliz?
Mas meu mundo se tornou um amontoado de solidão e canseira
Por que não ouvi o Amor? O que foi que eu fiz?

Thiago Grulha