Cinéfilo…

Não é segredo que curto demais ir ao cinema, isto muitos sabem. Os mais próximos, ou seja, os que sentaram-se na cadeira ao lado rachando uma pipoca ou dividindo o canudinho do Copão de Coca-Cola, sabem que choro até assistindo trailers. Agora, bem poucos conhecem o efeito que cada filme tem sobre mim. Minha namorada sabe rs Obrigado por me ouvir Cibele!
Gosto de comédia, aventura, ação, ficção, suspense, romance e desenhos.
Alguém pode pensar – Não é mais fácil dizer que gosta de qualquer tipo de filme?
Se pensou desta forma, pensou errado.
Podem prometer pagar o big mac, meu ingresso e a sobremesa no amor aos pedaços, mas se for terror, não vou de jeito nenhum. Meus olhos não possuem qualquer relação de amizade com cenas de gente serrando a própria perna, adolescentes possessas por demônios que caçoam do exorcista esforçado ou bonecos com faquinhas afiadas brincando de repartir a cabeça de alguém em duas lindas e simétricas partes. Não amo muito tudo isso! rs
Creio que se tivesse vivido na Grécia, berço dos soberanos dramas universais, não perderia uma peça (apesar que aqui em São Paulo há ótimos lugares para se assistir um bom espetáculo e eu nunca vou rs)
Mas enfim, já disse o essencial deste texto, que amo filmes, principalmente os assistidos no cinema.
E porque amo filmes? O que acontece comigo?
Afirmar que experimento a catarse seria exagero, porém sempre sou tomado por emoções que me levam as lágrimas, risos e reflexões. E sondando-me busquei entender quais coisas me fascinam no enredo, nas personagens, no cenário, nas falas e na ação.
Preparado estava para algumas horas de pesquisa intelectual, porém em pouco tempo desvendei o mistério. O que mais me atrai é o milagre da transformação (claro que mais coisas, mas principamente isso).
Sinto o coração apertar, os olhos umidecerem, os pensamentos se enternecerem e a vida jorrar livre por todos os caminhos existentes em meu espírito.
Como é incrível ver o tolo num instante de sabedoria. O egoísta estendendo a mão. O amargurado abraçar liberando perdão. O excluído encontrar amigos. O sozinho dar aquele beijo. A esquecida receber a coroa de rainha do baile. A considerada megera demonstrar aos outros que sabe amar. O injustiçado ser absolvido. O triste alegrar-se. O solitário acenar para vida agradecendo a família que recebeu. O desajustado tendo uma segunda chance.
Amo as transformações. As esperanças. A renovação.
O quarto vazio novamente preenchido pela voz da criança que sofria num hospital. A mesa que outrora foi testemunha de brigas entre pai e filho, “escutando” o sussuro dito ternamente “me perdoe filho, é bom ter você de volta”.
Sou atingido pela verdade encenada. Pelo rude que pouco a pouco perde o carinho de quem ama. O rebelde que apenas precisava de um bom amigo por perto. O gentil que com toda a sua gentileza não consegue o olhar da lider de torcida. Entretando. Intimamente ligado a todos estes momentos, há sempre os fios da transformação, que fazem com que a tessitura da vida ganhe outras cores, quando tudo parecia terminar em cinza.
Não fecho os olhos para verdade. Não ignoro a realidade de todos os dias. Não perco de vista a beleza que existe longe das camêras. Mas como aprendo com cada sentimento que me belisca a alma enquanto reajo as palavras incríveis na boca de gente que nem conheço, mas que conseguem ter na voz e na face os meus próprios anseios e sonhos.
Nós podemos viver a transformação. Podemos ser moldados. Podemos nos aventurar neste labirinto do tempo e reencontrar virtudes perdidas. Podemos voltar a sorrir. Podemos emocionar a platéia. Podemos chorar. Podemos ser tocados pela mão da verdade e assim revelarmos ao mundo o valor que o sangue de Jesus nos deu.
O que será que assistirei semana que vem rsrs (ou na outra semana rs) – Aceito indicações!!!

Thiago Grulha