Mesa na varanda
Café fumegando
Cheiro de carinho
As palavras estão no sorriso
Cenário perfeito
O suspiro duvida que é real
Mas estamos juntos de verdade
E esta tarde é a nossa história
Deu tempo de ser feliz
Thiago Grulha
Mesa na varanda
Café fumegando
Cheiro de carinho
As palavras estão no sorriso
Cenário perfeito
O suspiro duvida que é real
Mas estamos juntos de verdade
E esta tarde é a nossa história
Deu tempo de ser feliz
Thiago Grulha
PEGADAS
Vi pegadas na areia.
Curioso, decidi segui-las.
Ainda nos primeiros metros, encontrei uma mulher sorrindo. Perguntei: – Estas pegadas são tuas?
Ela mal podia me responder. Estava dançando com sua filha no colo e gritava para o mar calmo: – Ela foi curada!
Tentei acompanhar a sua felicidade, mas fui incapaz de reproduzir aqueles movimentos impregnados de gratidão.
Sorri com ela, mas logo percebi a continuação do rastro.
Continuei acompanhando aquela trilha. As pegadas fascinavam-me e eu não sabia a razão.
Esbarrei em um rapaz. Eu olhava para baixo e ele não tirava os olhos do céu.
Admirava a imensidão e reparava em cada movimento da nuvem. Quase perguntei: – Nunca tinha visto o sol não é?
Aproximei-me e chamando a sua atenção com um breve cumprimento, fiz a única pergunta realmente importante pra mim naquele momento:
- Desculpe-me atrapalhá-lo. Você sabe de quem são estas pegadas?
Ele emocionado, cantou:
- A única coisa que sei é que eu era cego e agora eu vejo!
Tomei um susto quando fui agarrado e jogado pro alto como se estivéssemos comemorando um milagre.
Esquivei-me com um pouco de dificuldade e continuei minha investigação.
Após muitos passos, avistei colina.
Havia gritos por toda parte e a luz perdia seu brilho num ritmo acelerado.
Não consegui enxergar muito bem, mas parecia ter visto uma cruz, na verdade três cruzes.
Senti certo medo, mas as pegadas iam naquela direção.
Encontrei coragem em algum bolso do meu coração e continuei caminhando.
Um homem sangrando dizia:
- Pai. Perdoa-os.
Minha alma foi alcançada por aquelas palavras. Não compreendia nada, mas aquele perdão era pra mim.
Chorei. Quebrantei-me naquele lugar chamado Calvário.
Queria ouvi-lo mais. Contemplei seus olhos de longe e fui sugado para dentro deles. Uma paixão invencível me envolveu.
Queria conhecê-lo melhor. Mas era o fim.
Porém, ao levantar os olhos vi as pegadas. Mas como pode? Ele morreu.
Levantei-me do chão e corri. Corri. Parei em frente a um sepulcro.
Ele estava aberto e mulheres admiradas misturavam lágrimas com festa.
Alguém anunciava: – Ele ressuscitou!
Mas para onde Ele foi? Com encontrá-lo?
Novamente, as pegadas estavam lá.
Animado, percorri o trajeto em minutos.
Encontrei uma mulher com sua filha no colo. Ela gemia de dor porque seu bebê sofria de uma doença terrível.
Abracei-as e também chorei. Lembrei-me do homem na Cruz. Lembrei-me das pegadas. E pensei: – E se ele estiver aqui? Ele venceu a morte, não poderia fazer algo por nós?
Sem saber o que fazia, fechei os olhos e o imaginei do meu lado, tocando aquela vida.
Quando emergi daquele silêncio, a garotinha estava curada.
Sua mãe dançava e gritava pro mar calmo: – Ela foi curada!
Nem pensei em perguntar das pegadas e continuei em frente.
As encontrei. Iam até um homem triste. Falou comigo, mas não ergueu o rosto. Disse que era cego.
Lembrei-me das pegadas. Ele está aqui. Lembrei-me da garota sorrindo. Ele está aqui.
Abracei o moço franzino e choroso. Clamei ao céu. Ele abriu os olhos e viu.
Olhava o firmamento como uma criança que descobre os mistérios de um parque de diversão.
Ele me tomou nos braços e jogou-me pro alto! Quanta alegria.
- Eu era cego, agora eu vejo! Ele cantava a plenos pulmões.
Esquivei-me com cuidado e prossegui.
Cheguei até uma cruz, mas ela estava vazia. Um cheiro de salvação permeava aquele ar.
Continuei caminhando e descobrindo até onde aquelas pegadas me levariam.
Já não era mais eu. Alguém vivia em mim.
Thiago Grulha
Calce o tênis branco.
A bermuda eu achei curta, mas como a rua deve estar deserta, pode usar rs.
Os ruídos dos teus passos acompanhando-me tão de pertinho fazem carinho no meu pensamento. Tua companhia me fortalece.
Veja, as sombras das folhas estão brincando no asfalto. Parecem desenhos feitos pela Ternura. O Amor preparou tudo isto pra nós dois. É a nossa história.
Sei que é loucura, mas parece que as árvores estão sorrindo junto com a nossa alegria.
Vê aquele fruto no alto do galho? Se você prová-lo, ele é quem irá suspirar com a doçura do teu lábio. Você é linda.
Gosto de entrelaçar minhas mãos nas tuas e caminhar te ouvindo falar sobre o cheiro das flores.
O que foi? Teu olhar pareceu-me preocupado.
Ah, entendi. Desta vez você enganou-se. Eu não esqueci o relógio em cima da mesa pela décima vez neste mês de férias. Eu deixei-o lá. Isto mesmo. Acredite, foi de propósito.
Ninguém irá me dizer que o tempo está passando. O instante será eterno e vivê-lo no teu abraço realizará sonhos que ainda nem consegui ter.
Continue. Quero te escutar e estou atento a cada breve palavra.
Este passeio não seria tão belo se a tua voz não soasse tão perto do meu ouvido.
Thiago Grulha
Casa apinhada de gente.
A cada passo tropeço na alegria de alguém e caio na risada.
Sujei-me todo chupando manga sentado ao lado de minha mãe. Quantos fiapos!
Ao som do violão, juntei minha canção com a dos meus irmãos e acompanhados da serena voz da vovó recordamos belos hinos tradicionais.
Meu pai sorri. Seus olhos amigos registram nossos movimentos e seus lábios revelam a alegria que ele sente no coração.
Que legal, os primos chegaram. Bagunça explode por todos os cantos do quintal. Não, não vou brincar de Antônio Nunes! rs
Aromas maravilhosos seduzem nosso apetite e nos carregam sem problema nenhum até a mesa repleta de boa comida. Quanta sobremesa. Mãe! Faz meu prato? Que linda!
Papos aqui e ali. Reencontro. Perguntas. Surpresas. Novidades. Mais risos.
É hora de orarmos. Cabeças baixas. Contrição. Gratidão.
Tudo bem, eu toco mais uma música. Qual? Esta eu não sei, mas não custa tentar.
Louvores enchem a sala e lágrimas visitam o rosto de alguns.
Chegam mensagens no celular. Olha só, lembraram de mim. Envio mensagens pelo celular, que legal poder dizer aos que estão longe o quanto gosto de tê-los por perto.
Presentes. Chocolate. Vou guardar o meu e comer em São Paulo, é mais seguro. rs
Ouço as sempre doces palavras da vó Elza. A gente ri sem saber do quê.
Minhas tias são demais e os tios são mais bagunceiros do que seus filhos. Gargalhadas sobem até o céu e retornam ao nosso peito santificados pelo Amor.
Tudo muito divertido.
Sinto falta de pessoas. Será que elas sentem falta de mim? É impossível ser completo quando somos intensamente apaixonados por tudo o que vivemos.
E cadê eles? Saudade do Junior e da Su.
Que natal especial!
Thiago Grulha
Um raro pássaro planou sobre nós dois. Cores lindas rasgando as nuvens com beleza. Suspiramos ao acompanhá-lo com as vistas emocionadas. Momento lindo.
Para nossa surpresa, pouco tempo depois ele retornou e passou a te olhar com uma ternura quase musical.
Intrigado, gritei: – Por que olhas assim para minha garota?
Tímido, ele respondeu: – Perdão senhor, nunca havia visto nada mais bonito do que o céu. Voaria nestes olhos.
Enciumado, respondi: – Você tem sorte. Jamais bateria em alguém com asas.
Thiago Grulha
Thiago Grulha
Quando vou em tua direção, fico desorientado
Minha seriedade tropeça em teu sorriso
A cor do teu lábio me deixa encantado
E o que nem conhecia, agora eu preciso
No encontro dos nossos olhares marcados por segredos
Recordo palavras ditas ao pé do ouvido
Não sei o que sinto e isto dá medo
Você muda o meu mundo, fica tudo invertido
A saudade arrasta o meu pensamento
Lança-o sobre o nosso último beijo
A beleza daquele breve momento
É tão única quanto o teu jeito
Thiago Grulha
Você leva algumas lembranças no coração, porém algumas lembranças levam o teu coração com elas.
O sorriso sapeca, o olhar proibido. Aquela noite em que viver era mais do que permitido.
Estrelas risonhas, vento amigo. Calmaria encantadora.
Tudo era verdade, por mais breve que tenha sido e a lua conversava com o nosso pensamento.
Corremos pela praça, ao redor da fonte iluminada. Semblantes irritados desaprovavam nossa brincadeira infantil. Nada importou. Continuamos.
O tropeço virou história e a cicatriz fotografia da alegria. Queríamos fazer durar o que estava acabando bem ali. Queríamos! Tentamos. Falhamos.
Acenei timidamente. Teu rosto encostado na janela me dizia adeus.
Tentei gritar, no entanto, antes ouvi o teu grito. Senti o corpo gelar quando te escutei dizer: – Eu te amo!
Aprumei-me novamente. Pensei mil coisas. Recuperei o fôlego e consegui gritar uma resposta. Preferi não escolher outras palavras. Entreguei as que já estavam prestes a sair da minha boca minutos antes:
- Feliz Natal!
Sem acreditar na cena, você suspirou:
- Eu não entendo este menino. Eu não o entendo.
Thiago Grulha